Monday, November 14, 2005

Retrato

Saturday, October 01, 2005

Branco e Vermelho



A dor, deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandecente e imenso,
Foi um deslumbramento.
Todo o meu ser suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso
Num doce esvaimento.

Ó morte, vem depressa,
Acorda, vem depressa,
Acode-me depressa,
Vem-me enxugar o suor,
Que o estertor começa.
É cumprir a promessa.
Já o sonho começa...
Tudo vermelho em flor...

Sunday, September 18, 2005

Canção da partida



Quem vai embarcar, que vai degredado,
As penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado,
Lançai-o ao mar.

E hei-de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro um carta...
--- A última, de antes do teu noivado.

Singra o navio. Sob a água clara...



Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
- Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!

Desce enfim sobre o meu coração...



A fronte já sem rugas, distendidas
As feições, na imortal serenidade,
Dorme emfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.

Enfim, levantou ferro.



A olhar da amurada,
Que triste que estou!
Miragens do nada,
Dizei-me quem sou...

Depois da luta e depois da conquista...



Felizes vós, ó mortos da batalha!
Sonhais, de costas, nos olhos abertos
Reflectindo as estrelas, boquiabertos...

Ó cores virtuais que jazeis subterrâneas...




Abortos que pendeis as frontes cor de cidra,
Tão graves de cismar, nos bocais dos museus,
E escutando o correr da água na clepsidra,
Vagamente sorris, resignados e ateus,

Vénus



Á flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda...

Ao longe os barcos de flores...



Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

Floriram por engano as rosas bravas...



E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze – quanta flor! – do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Estátua





Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, – frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.

Tatuagens complicadas do meu peito...




E o meu brasão... Tem de oiro, num quartel
Vermelho, um lis; tem no outro uma donzela,
Em campo azul, de prata o corpo, aquela
Que é no meu braço como que um broquel.

Thursday, September 08, 2005

.................ESQUISSOS.................

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